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Cartões de crédito

Cashback, pontos ou milhas: como escolher o benefício que compensa

Veja como comparar cashback, pontos e milhas do cartão de crédito, fazer a conta com a anuidade e evitar armadilhas como pontos que expiram sem uso.

RedaçãoAtualizado em 6 min de leitura

Quase todo cartão de crédito hoje promete devolver alguma coisa: dinheiro de volta, pontos para trocar por produtos ou milhas para viajar. A propaganda costuma destacar o benefício e deixar em segundo plano a pergunta que importa: depois de descontar a anuidade e as regras do programa, quanto sobra de fato para quem usa o cartão?

A resposta muda de pessoa para pessoa. Depende de quanto você gasta, de como gasta e do que pretende fazer com a recompensa. Este guia explica como cada modelo funciona e como fazer a conta antes de escolher.

Os três modelos, em poucas palavras

Cashback é a devolução de uma parte do valor gasto, geralmente um percentual sobre as compras. O dinheiro pode voltar como crédito na fatura, saldo em conta ou, em alguns casos, ser aplicado em investimentos. É o modelo mais fácil de entender: 1% de cashback sobre R$ 1.000 em compras significa R$ 10 de volta.

Pontos são acumulados de acordo com os gastos e ficam em um programa de recompensas do emissor do cartão. Em muitos programas, a pontuação é calculada com base no valor gasto convertido em dólar, mesmo para compras feitas em reais. Os pontos podem ser trocados por produtos, serviços, descontos na fatura ou transferidos para programas de companhias aéreas e de parceiros.

Milhas são a moeda dos programas de fidelidade de companhias aéreas e de parceiros do setor de viagens. Algumas pessoas acumulam milhas diretamente, com cartões ligados a uma companhia; outras chegam a elas transferindo pontos do banco.

A diferença central é a previsibilidade. No cashback, você sabe quanto vale cada real devolvido. Em pontos e milhas, o valor depende do que você vai resgatar, de quando e de como.

Comece pela anuidade

Qualquer comparação séria começa pelo custo. Cartões com programas de benefícios mais generosos costumam cobrar anuidades maiores, e um programa só compensa se o que ele devolve superar o que você paga para tê-lo.

A regulamentação do Banco Central ajuda nesse acompanhamento. Quando um cartão tem período de isenção de anuidade, o emissor precisa avisar o cliente, por canal eletrônico e de graça, com pelo menos um mês de antecedência antes de começar a cobrança. É o momento de refazer as contas, tentar negociar ou trocar de produto.

Fazendo a conta: um exemplo

Imagine uma pessoa que gasta R$ 3.000 por mês no cartão, ou R$ 36.000 por ano. Todos os números a seguir são hipotéticos e servem apenas para mostrar o raciocínio.

O cartão B só passaria a compensar se a pessoa conseguisse um valor por ponto bem maior, por exemplo transferindo para um programa aéreo em uma promoção e resgatando uma passagem cara com poucas milhas. Isso é possível, mas exige tempo, planejamento e alguma sorte com disponibilidade. Também é possível o contrário: resgatar produtos de catálogo e obter um valor por ponto ainda menor.

O exercício mostra a regra geral: para comparar programas, transforme tudo em reais por ano, desconte a anuidade e seja conservador ao estimar quanto vale cada ponto ou milha.

O regulamento é o que manda

Pela regulamentação do Banco Central, as instituições emissoras devem oferecer ao cliente formas de consultar as regras dos programas de benefícios e recompensas vinculados ao cartão. Antes de escolher, vale ler com atenção alguns pontos:

Conferir o extrato do programa com frequência também ajuda a identificar créditos que não caíram ou resgates que você não fez.

Qual combina com cada perfil

Sem a pretensão de dar uma recomendação individual, alguns padrões ajudam a orientar a escolha.

O cashback tende a fazer mais sentido para quem quer simplicidade, gasta valores moderados ou não tem planos de viagem. O benefício é previsível, não exige gestão e, em cartões sem anuidade, qualquer devolução é ganho líquido.

Os pontos podem servir para quem quer flexibilidade, já que muitos programas permitem trocar por produtos, descontos ou milhas. O valor final, porém, depende muito da forma de resgate.

As milhas costumam render mais para quem viaja com frequência, planeja com antecedência e acompanha promoções. Para quem viaja pouco, o risco de deixar milhas vencerem ou de resgatá-las em condições ruins é maior.

Armadilhas mais comuns

A primeira é gastar mais para acumular mais. Os programas devolvem, em regra, só uma fração do que foi gasto; comprar algo que você não compraria só pela recompensa tende a dar prejuízo.

A segunda é usar o rotativo ou atrasar a fatura. Os juros do crédito rotativo superam com folga qualquer percentual de cashback ou valor de pontos. Quem paga juros no cartão tende a perder, na prática, todo o benefício acumulado.

A terceira envolve compras internacionais. Elas podem pontuar, mas pagam IOF e estão sujeitas à variação do câmbio, custos que precisam entrar na conta.

A quarta é esquecer a validade. Programar lembretes e acompanhar o extrato evita perder pontos acumulados ao longo de meses.

Em resumo

O melhor programa é o que devolve mais dinheiro líquido, depois da anuidade, considerando o jeito como você realmente usa o cartão. Faça a conta com os seus números, leia o regulamento e confira as condições oficiais no site e no contrato do emissor antes de contratar ou trocar de cartão.

Fontes