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Cartões de crédito

Fatura do cartão: fechamento, vencimento e o melhor dia de compra

Entenda a diferença entre data de fechamento e vencimento, como achar o melhor dia de compra e o que a fatura do cartão de crédito precisa mostrar a você.

RedaçãoAtualizado em 6 min de leitura

Muita gente descobre como funciona a fatura do cartão de crédito na base do susto: uma compra feita “no começo do mês” aparece cobrada poucos dias depois, enquanto outra, feita na semana seguinte, só vence no mês posterior. Não é erro do banco. É o calendário do cartão, que gira em torno de duas datas que costumam ser confundidas: o fechamento e o vencimento.

Entender esse ciclo não deixa nenhuma compra mais barata, mas ajuda a organizar o orçamento e a evitar o rotativo, a forma mais cara de crédito do cartão. Este guia explica as duas datas, a lógica do “melhor dia de compra” e o que o Banco Central exige que a fatura informe.

O ciclo do cartão em quatro etapas

Todo cartão de crédito funciona em ciclos mensais:

A distância entre o fechamento e o vencimento não é fixada pela regulação e varia de um emissor para outro. Em geral, são alguns dias. A informação aparece no aplicativo e na própria fatura, que, pelas regras do Banco Central, precisa trazer inclusive a data de encerramento dos lançamentos do período seguinte.

O que é o “melhor dia de compra”

O “melhor dia de compra” é uma expressão de mercado, não um termo da regulamentação. Ela indica o dia a partir do qual as compras deixam de entrar na fatura atual e passam para a seguinte. Na maioria dos casos, coincide com a data de fechamento ou com o dia seguinte a ela. Como a regra exata depende do emissor, vale confirmar no aplicativo do cartão, onde muitas instituições exibem essa data diretamente.

Um exemplo hipotético ajuda a visualizar. Imagine um cartão que fecha no dia 3 e vence no dia 10.

O valor da compra é o mesmo; muda o tempo até o dinheiro sair do seu bolso.

Cuidados que o calendário não resolve

A lógica do melhor dia tem armadilhas. A primeira é o lançamento atrasado. Algumas compras não são registradas na data em que você passou o cartão: assinaturas, compras internacionais e certos estabelecimentos podem demorar a enviar a cobrança. Por isso, uma compra feita na véspera do fechamento pode acabar na fatura seguinte.

A segunda é a compra parcelada. Cada parcela segue o mesmo calendário, mas o limite do cartão costuma ser comprometido pelo valor total da compra logo no início, sendo liberado à medida que as parcelas são pagas. Parcelar no melhor dia empurra a primeira parcela para mais longe, mas não reduz o compromisso assumido para os meses seguintes.

A terceira é psicológica. Ter mais de um mês para pagar pode dar a sensação de que há mais dinheiro disponível do que realmente existe. O prazo maior serve para organizar o fluxo de caixa, não para gastar além da renda.

Escolhendo a data de vencimento

Desde julho de 2024, uma regra do Banco Central determina que, na contratação de um cartão de crédito, a instituição ofereça ao cliente pelo menos três opções de data de vencimento, com diferença mínima de sete dias entre elas. A exigência não vale para cartões cuja fatura é paga por consignação em folha.

Na prática, costuma funcionar melhor um vencimento alguns dias depois do recebimento da renda principal, para que o dinheiro já esteja na conta. Se a data atual não combina com o dia do salário, consulte o emissor: as condições para trocar o vencimento depois da contratação variam entre instituições.

O que a fatura precisa mostrar

A mesma reforma de 2024 reorganizou a fatura. Pela Resolução BCB nº 96, de 2021, com as mudanças que entraram em vigor em julho de 2024, a fatura deve apresentar as informações em três grupos, nesta ordem:

A norma também determina que o valor total apareça como opção padrão de pagamento e que a instituição envie notificação gratuita, por canais eletrônicos, pelo menos dois dias antes do vencimento, lembrando que pagar menos que o total gera juros e encargos. A partir de 1º de julho de 2027, a Resolução BCB nº 567 também exigirá aviso mensal gratuito do saldo e da taxa do rotativo e comunicação 30 dias antes de mudar os juros.

Limite e anuidade também têm regras

O limite de crédito não pode ser aumentado sem a sua concordância, que deve ser obtida a cada aumento. A redução por iniciativa do emissor exige aviso com pelo menos 30 dias de antecedência, salvo quando a instituição identifica piora no perfil de risco do cliente; nesse caso, a comunicação pode ocorrer até o momento da redução. Se você mesmo pedir para reduzir o limite, a instituição tem até dois dias úteis para atender.

Quem tem anuidade isenta por um período deve ser avisado com pelo menos um mês de antecedência antes de a cobrança começar.

Pagar o total é o que faz o sistema funcionar a seu favor

O melhor dia de compra só ajuda quem paga o valor total da fatura no vencimento. Quando o pagamento é parcial, o saldo restante entra no crédito rotativo, com juros que estão entre os mais altos do mercado. Pelas regras do Conselho Monetário Nacional, fora os consignados, esse saldo só fica no rotativo até o vencimento da fatura seguinte; depois, precisa ser quitado ou parcelado. Juros e encargos têm teto de 100% do valor original da dívida, e a fatura deve detalhar esses valores.

A recomendação prática é simples: conheça as suas duas datas, confira os lançamentos assim que a fatura fechar e programe o pagamento integral. Em caso de dúvida, os dados oficiais estão no contrato e no aplicativo do emissor. Para questionar uma cobrança, procure primeiro o atendimento da instituição e, se não resolver, a ouvidoria.

Fontes