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Investimentos

Poupança: como o rendimento é calculado e quando ela fica para trás

Entenda a regra que define o rendimento da poupança, o papel da Selic e da TR, a data de aniversário e em que situações outras aplicações rendem mais.

RedaçãoAtualizado em 6 min de leitura

A caderneta de poupança continua sendo a porta de entrada de milhões de brasileiros no mundo dos investimentos. É fácil de abrir, não exige conhecimento técnico e não cobra Imposto de Renda. Mas pouca gente sabe exatamente como o rendimento é calculado, e é justamente essa regra que explica por que, em muitos momentos, a poupança perde para alternativas igualmente simples.

Este texto mostra como a conta funciona hoje, quais são as vantagens reais da caderneta e em que situações vale comparar com outras opções. O conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação individual.

A regra do rendimento, em duas partes

O rendimento da poupança é definido por lei, e não pelo banco. A regra está no artigo 12 da Lei nº 8.177/1991, com a redação dada pela Lei nº 12.703/2012. Ela combina dois componentes.

O primeiro é a Taxa Referencial (TR), calculada e divulgada pelo Banco Central. Ela entra na conta sempre, qualquer que seja o cenário.

O segundo é a remuneração adicional, que depende da meta da taxa Selic definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom):

Em outras palavras, quando os juros estão altos, o rendimento adicional da poupança fica travado em 0,5% ao mês, o que equivale a cerca de 6,17% ao ano, mais a TR. Quando os juros caem, ela passa a acompanhar uma fração da Selic.

E os depósitos antigos

Existe uma exceção. Os valores depositados até 3 de maio de 2012 seguem a regra anterior: rendem sempre 0,5% ao mês mais TR, independentemente da Selic. Para os depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012, vale a regra descrita acima.

A lei determina que os dois saldos fiquem separados. Em caso de saque, o dinheiro sai primeiro do saldo mais novo, salvo pedido formal em contrário do titular.

Como está a conta em outubro de 2026

Segundo os dados do Banco Central consultados em 30 de outubro de 2026, a meta da Selic está em 13,75% ao ano. Como esse valor é superior a 8,5%, a poupança segue a primeira regra: 0,5% ao mês mais TR.

A TR tem registrado valores positivos, ainda que pequenos. Nas séries do Banco Central para períodos de rendimento iniciados entre 25 e 28 de outubro de 2026, a TR mensal ficou entre cerca de 0,13% e 0,17%, e o rendimento mensal da poupança, entre cerca de 0,63% e 0,67%. Esses números mudam a cada dia e servem apenas como retrato do momento.

A data de aniversário faz diferença

A poupança não rende todos os dias. O rendimento é creditado uma vez por mês, na chamada data de aniversário, que corresponde ao dia do depósito. Quem deposita no dia 10 recebe o rendimento todo dia 10.

Isso tem uma consequência prática: se o dinheiro for sacado antes do aniversário, o rendimento daquele período é perdido. Sacar no dia 9 um valor depositado no dia 10 do mês anterior significa ficar praticamente um mês sem remuneração.

Há também uma regra para o fim do mês. Depósitos feitos nos dias 29, 30 e 31 passam a ter aniversário no dia 1º do mês seguinte. Na prática, esses valores ficam alguns dias sem render.

As vantagens reais da poupança

A caderneta tem méritos que não devem ser ignorados:

Quando a poupança perde para outras opções

O ponto de comparação mais comum são aplicações de renda fixa pós-fixadas que acompanham o CDI ou a Selic e oferecem resgate diário, como o Tesouro Selic, o Tesouro Reserva e CDBs com liquidez diária. Elas pagam Imposto de Renda pela tabela regressiva (de 22,5% a 15%, conforme o prazo), mas, ainda assim, costumam render mais.

Com a Selic alta, a diferença cresce. Como o adicional da poupança fica limitado a 0,5% ao mês, ela não acompanha a alta dos juros. Já as aplicações atreladas ao CDI ou à Selic sobem junto.

Veja um exemplo hipotético, apenas ilustrativo. Imagine R$ 10 mil aplicados por um ano.

Na vida real, as taxas mudam ao longo do ano, e o resultado não pode ser garantido.

Com a Selic baixa, a disputa fica mais apertada. Quando a meta está em 8,5% ou menos, a poupança paga 70% da Selic mais TR. Uma aplicação que renda 100% do CDI, mesmo com IR de 22,5%, entrega cerca de 77,5% do CDI líquido; com 15%, cerca de 85%. A vantagem continua existindo, mas é menor.

A poupança pode levar vantagem em algumas situações específicas:

A regra prática é simples: compare sempre o rendimento líquido, depois de impostos e custos, para o prazo em que você pretende deixar o dinheiro.

Como usar essa informação

A poupança não é um mau lugar para guardar dinheiro: é segura, simples e isenta de IR. O problema é que, na maior parte do tempo, opções igualmente acessíveis e de baixo risco rendem mais.

Antes de decidir, observe a taxa oferecida, a liquidez, a data em que pretende resgatar e se há cobrança de taxas. Consulte também os valores atualizados da Selic e da TR no site do Banco Central, já que a conta muda conforme os juros da economia.

Fontes