uma breve história
Investimentos

Tesouro Direto para iniciantes: tipos de título e como começar

Entenda as diferenças entre Tesouro Selic, Prefixado, IPCA+, RendA+, Educa+ e Tesouro Reserva, quais custos e impostos incidem e como dar o primeiro passo.

RedaçãoAtualizado em 6 min de leitura

Quem decide sair da poupança pela primeira vez quase sempre esbarra no mesmo nome: Tesouro Direto. O programa existe desde 2002 e foi criado para que pessoas físicas pudessem comprar títulos públicos federais pela internet, com valores pequenos. Na prática, ao investir, você empresta dinheiro ao governo federal e recebe uma remuneração por isso.

A ideia é simples, mas a vitrine assusta: títulos com nomes parecidos, vencimentos diferentes e taxas que mudam ao longo do dia. Este guia explica o que cada tipo faz, quanto custa investir e como começar. O conteúdo é educativo e não substitui uma análise da sua situação financeira.

Por que o Tesouro é considerado de baixo risco

Os títulos do Tesouro Direto são emitidos pelo Tesouro Nacional, e o pagamento é responsabilidade do governo federal. Por isso, costumam ser tratados como a referência de menor risco de crédito no país.

Isso não significa ausência total de risco. O principal ponto de atenção para o iniciante é a chamada marcação a mercado: o preço dos títulos varia diariamente conforme as condições da economia. Quem leva o título até o vencimento recebe a rentabilidade contratada na compra. Quem vende antes recebe o valor de mercado daquele dia, que pode ser maior ou menor do que o esperado.

Os títulos públicos não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC): a garantia é do próprio Tesouro Nacional.

Os tipos de título disponíveis

Na vitrine oficial do programa, os títulos aparecem organizados em cinco famílias: Selic, Prefixado, IPCA+, Educa+ e RendA+. Em maio de 2026, o Tesouro Nacional e a B3 lançaram ainda o Tesouro Reserva, com funcionamento diferente dos demais.

Tesouro Selic

Rende de acordo com a taxa básica de juros, a Selic. Como acompanha os juros do dia a dia, seu preço oscila pouco, e o próprio Tesouro Direto o apresenta como ideal para quem está começando. É muito usado para objetivos de curto prazo e reserva de emergência.

Tesouro Prefixado

Aqui, a taxa é definida na compra. Se você compra um título que paga, num exemplo hipotético, 12% ao ano e o mantém até o vencimento, recebe essa taxa, independentemente do que aconteça com os juros no caminho.

A contrapartida é a oscilação. Se os juros de mercado sobem depois da compra, o preço do título cai, e quem precisar vender antes pode ter perda. Existe também a versão com juros semestrais, que paga parte da rentabilidade a cada seis meses em vez de tudo no final.

Tesouro IPCA+

Este título paga a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa fixa definida na compra. É pensado para proteger o poder de compra no longo prazo, como em planos para a aposentadoria.

Também sofre marcação a mercado, em geral maior nos vencimentos longos, e tem versão com juros semestrais.

Tesouro RendA+ e Tesouro Educa+

São títulos com objetivo definido. O RendA+ foi desenhado para complementar a aposentadoria: o investidor acumula durante anos e, a partir da data escolhida, passa a receber uma renda mensal por 20 anos, corrigida pela inflação. O Educa+ segue lógica semelhante, mas voltado à educação: os pagamentos mensais duram cinco anos, a partir de janeiro do ano escolhido.

Ambos têm regras próprias de taxa de custódia, que favorecem quem mantém o título até o fim.

Tesouro Reserva

A novidade de 2026 é um título atrelado à Selic, sem marcação a mercado, com aplicação mínima de R$ 1 e operações praticamente 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive em fins de semana e feriados. Há limite de aplicação de R$ 500 mil por investidor ao mês.

A compra é feita pelo Banco do Brasil, único distribuidor até o fim de outubro de 2026. A ampliação para outras instituições não tem prazo definido, por isso vale consultar o site do Tesouro Direto no momento de investir.

Quanto custa investir

Há dois custos possíveis. O primeiro é a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, cobrada de forma proporcional ao tempo. No Tesouro Selic, ela é isenta para os primeiros R$ 10 mil por CPF e incide só sobre o que passar disso. O Tesouro Reserva segue a mesma isenção de R$ 10 mil. No Educa+ e no RendA+, a cobrança depende do prazo e do valor da renda mensal.

O segundo é a eventual taxa da instituição financeira, definida por cada banco ou corretora. Muitas não cobram, mas vale verificar antes de abrir conta.

Como funciona o imposto

Os rendimentos do Tesouro Direto pagam Imposto de Renda segundo a tabela regressiva da renda fixa: 22,5% para aplicações de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. O imposto incide apenas sobre o ganho, nunca sobre o valor aplicado, e é retido automaticamente.

Se o resgate ocorrer em menos de 30 dias, também há IOF, que começa alto e cai a cada dia até zerar no 30º dia.

Em 2025, uma medida provisória chegou a propor alíquota única de 17,5% para aplicações financeiras, mas ela perdeu a validade em outubro daquele ano, depois de a Câmara retirá-la de pauta. A tabela regressiva continua valendo.

Liquidez: quando o dinheiro cai na conta

O Tesouro recompra os títulos nos dias úteis, salvo suspensões temporárias das negociações. Nos títulos tradicionais, quem pede o resgate entre 9h30 e 13h recebe o dinheiro na instituição no mesmo dia; pedidos feitos depois disso são liquidados no dia útil seguinte. Fora do horário de funcionamento, a ordem fica agendada para o próximo dia útil.

Como começar, passo a passo

  1. Abra conta em uma instituição habilitada. Bancos e corretoras credenciados no programa fazem o cadastro do investidor.
  2. Defina o objetivo antes do título. Dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento combina mais com títulos pós-fixados atrelados à Selic. Objetivos distantes e com data definida permitem considerar prefixados e IPCA+.
  3. Use o simulador oficial. O site do Tesouro Direto permite estimar quanto cada título pode render em diferentes prazos, com base nas taxas do dia.
  4. Escolha o vencimento compatível com o seu prazo. Isso reduz a chance de precisar vender antes, quando o preço pode estar desfavorável.
  5. Aplique. O valor mínimo nos títulos tradicionais corresponde a 1% do preço do título e muda todo dia. Em setembro de 2026, passava de R$ 190 no Tesouro Selic e ficava abaixo de R$ 10 em alguns prefixados e IPCA+ longos. No Tesouro Reserva, o mínimo é de R$ 1.

O que levar desta leitura

Cada título tem uma função. Selic e Reserva servem melhor a objetivos de curto prazo e imprevistos; prefixado e IPCA+ fazem mais sentido para metas com data marcada; RendA+ e Educa+ têm propósito específico.

Antes de investir, compare o prazo do título com o seu objetivo e consulte as condições atualizadas no site oficial, já que taxas, regras e produtos podem mudar.

Fontes